20 de fevereiro de 2010
Afinal, tomei coragem e testei o demo multiplayer do novo Alien vs Predator. E a maldição é implacável: meu triste histórico em jogos multiplayer se repete. Some a isto meu conturbado passado com a série e temos a receita para a decepção.
Como Alien, não me habituei aos novos comandos de andar pelas paredes, achei a resposta dos movimentos muito lenta e sem o salto mortífero de AvP 2 eu não consegui me defender de ataques feitos à distância. Matei um Predador em combate corpo a corpo e morri três vezes nas mãos dos fuzileiros. Resolvi, então, experimentar o papel de um fuzileiro, uma vez que deveria ser mais próximo do estilo de um FPS convencional. Ledo engano. Dessa vez, os Aliens fizeram picadinho de mim, pouco se lixando para os tiros que eu acertava. Novamente, matei um Predador (mas acho que o cara estava AFK). Considerando que, apesar de minha inépcia, eu tenha matado dois Predadores, achei por bem nem tentar incorporar os "supremos caçadores alienígenas", sempre negligenciados nos jogos da franquia.
O mapa disponível não ajuda muito na imersão. É uma reprodução genérica do tipo de arquitetura vista no filme Aliens, o Resgate. No início da partida, dicas aparecem enquanto o jogo carrega. Mas, se eu tiver que destruir todas as luzes do cenário, como sugere a dica para o Alien, eu passaria a noite inteira dedicado à tarefa. Li por aí que o jogo é escuro, às vezes escuro demais. Entretanto, o nível que existe nessa versão demo é mais iluminado que minha casa.
Parabéns para a engine desenvolvida pela Rebellion, que rodou com tranquilidade, em resolução máxima, aqui no meu PC, que não é topo de linha.
Eu continuo esperando por um demo single player. Quem sabe, com uma história envolvente e algumas situações pré-definidas, o título me empolga?
Ouvindo: Wumpscut - Rifki
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7 de fevereiro de 2010
Anos atrás fui forçado, por razões financeiras, a escolher: Marvel ou DC? Seria impossível continuar comprando revistas das duas editoras. Escolhi a casa do Superman, Batman e Liga da Justiça. Quase uma década depois, permaneço fiel a essa decisão, entre altos e baixos, alimentando minha paixão por super-heróis. E, agora, a recompensa pode ter chegado:
A nova série semanal da DC Comics, dando sequência à moda de periodocidade (sic) a cada sete dias iniciada por 52 e em hiato desde o fim da curta Wednesday Comics, vai se chamar DC Universe: Legends. E, pela primeira vez, não terá relação alguma com a continuidade tradicional do universo DC, apesar do nome. A série vai se passar no mundo do game DC Universe Online.
Atire a primeira pedra o fã de quadrinhos que nunca quis, em seus sonhos, ser um herói. Em DC Universe Online, você poderá viver a sensação da melhor maneira que a tecnologia atual permite, sem precisar ser atingido por um relâmpago ou ser o último sobrevivente de outro planeta.
Entretanto, eu tenho meus motivos para não estar explodindo de antecipação. Afora meu triste histórico em jogos multiplayer, existe o receio de que a DC Comics esteja se arriscando demais. Primeiro, por que o título está em produção desde 2008 (o primeiro trailer provavelmente completará dois anos antes do lançamento oficial). Esse tipo de atraso, em 90% dos casos indica problemas internos de produção. Em 10% dos casos, indica capricho... Em segundo lugar, a DC está entrando em uma área onde não tem experiência, onde a Marvel amarelou e com uma empresa que não produz nenhum sucesso no gênero desde 1999 e que já matou uma grande franquia. Em terceiro lugar, ao contrário do que a maioria do público possa imaginar, você não terá a chance de interpretar nenhum personagem da editora: você será forçado a criar um super-herói inédito e apenas interagirá com os já estabelecidos. Em quarto lugar, tentar sincronizar uma revista semanal com os eventos de um MMORPG é tarefa digna de um Superman.
Por outro lado... vamos supor por um minuto que eles consigam. Vamos supor que tudo dê certo. Teremos um universo de super-heróis paralelo às 52 Terras do Universo DC, onde os acontecimentos serão controlados pela decisão dos leitores/jogadores. Teremos um MMORPG onde as missões serão escritas pelas grandes mentes que escrevem as histórias da DC: serão "narradores" profissionais oferecendo um mundo dinâmico para você brincar. Imagine um personagem criado por você tendo um crossover, publicado internacionalmente, com o universo principal da DC. Imagine uma outra Crise, que comece ou seja concluída online, em tempo real. Imagine criar um super-vilão, ser surrado pelo próprio Batman, ser enviado para o Arkham e armar uma fuga com o Coringa? Imagine criar um super-herói e salvar Metrópolis de Brainiac, com a ajuda de Superman?



A DC Comics pode ter em mãos a narrativa multimídia definitiva, um marco do século XXI a ser seguido e lembrado. Ou um retumbante fracasso.
Ouvindo: Loreena McKennitt - Cé Hé Mise Le Ulaingt? The Two Trees
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22 de janeiro de 2010
Conheci uma vez um sujeito que era viciado em EVE Online. Por incrível que pareça, ele era meu chefe. Ele jogava no escritório e fazia questão de mostrar para todo mundo "como era fantástico o jogo". Em seus estágios finais de dependência, ele chegava em sua sala, ligava o jogo e só desligava na hora de ir embora (ou não). Se algum cliente ligasse, perguntando por ele, a ordem era dizer que ele não estava. Não sei até onde essa história foi, por que a empresa fechou as portas. E não, EVE não foi o motivo do fechamento (havia motivos ainda piores...).
Apesar dos gráficos impressionantes para a época, e que impressionam até hoje, eu fiquei com a desconfiança de que aquele MMORPG não deveria fazer bem para a sanidade mental de ninguém. O nível de dedicação que o jogo exigia não era para mim, assim como o da maioria absoluta dos títulos do gênero. Seu grau de complexidade é perfeito para profissionais de informática habituados a planilhas de Excel, configurações de servidor, programação pesada ou para físicos nucleares. Como bem ilustrou o Blog MMO, resumido na figura abaixo:
EVE é realmente um jogo estranho. Contrariando tendências do mercado de MMORPG, em EVE você NÃO vive em um mundo de fantasia. O título é pura ficção-científica. Você NÃO tem um avatar. Aliás, até tem, mas ele não é importante. O importante é a nave que você pilota. A história não é exclusividade dos desenvolvedores, mas fartamente modificada pela própria comunidade de jogadores. Guerras, golpes, alianças, eleições, falcatruas, traições e falências são controladas como no mundo real e fomentadas por pessoas reais. Como jogador de EVE, você pode ir dormir como um milionário presidente de corporação e acordar falido.
Apesar de toda essa imersão/simulação de realidade, algumas coisas não mudam em relação a essa exótica criatura chamada "gamer". As facções do universo do jogo que foram criadas pela desenvolvedora ostentam pomposos nomes como "Império Amarr", "Estado Caldari", "Federação Gallente", "Serpentis" etc (veja a lista completa). Por outro lado, as facções e alianças criadas pelos próprios jogadores mandam a verossimilhança literalmente pro espaço e, assim, temos aberrações como "Legião da xxMORTExx", "Sexo, Drogas e Rock n' Roll", "Basicamente Inofensivo" e "Caos Sistemático". Para ser justo, existem algumas que tentam manter o clima de epopéia cósmica e adotam nomes mais sérios, como "A Iniciativa" ou "Frota Solar". Existe um mapa, atualizado constantemente, que mostra a área de influência de cada facção dentro do jogo. Recentemente, o "Enxame de Capangas" (Goonswarm) venceu seu antigo rival, o "Bando de Camaradas", e assumiu o controle de uma vasta extensão do universo.
A Beleza Está nos Olhos de Quem Vê
Como eu disse, nunca experimentei EVE. Pode ser que suas "particularidades" sejam facilmente superáveis. Pode ser que o jogo seja mesmo fantástico. E viciante. Muito viciante. Por enquanto, é melhor manter distância.
Mas existe algo que eu nunca vou esquecer daquelas tantas vezes que eu vi o jogo rodando no laptop do meu chefe: seus gráficos. Havia algo de hipnótico no vazio estelar. Havia algo de voluptuoso no layout daquelas naves. Havia majestade nas estações espaciais e nos portais de teleporte.
Apaixonados pela beleza de EVE, um grupo de russos (sempre são russos...) criou uma série de artes mesclando elementos do universo do jogo com objetos e situações do mundo real. O resultado fascina:



Todas as doze imagens podem ser encontradas em diversas resoluções para download na página do projeto.
Ouvindo: Ladytron - Runaway
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21 de setembro de 2009
MMORPGs são espaços virtuais para o encontro de amigos, para se vivenciar uma outra vida repleta de companheirismo, aventura e diversão, certo? Não é esse o espírito de um certo anunciante anônimo do serviço de classificados online Craigslist. O seguinte anúncio (já removido do site) foi publicado no último dia 17:
"Eu preciso contratar uma pessoa para jogar World of Warcraft comigo. Esta pessoa dever estar, pelo menos, no nível Rival+ em cura na arena e ser capaz de me ajudar a atingir a qualificação 2000+ na arena. Você deverá ser capaz de jogar 3hs por dia durante a semana e 5hs por dia durante o final de semana. Você também deverá ser capaz de jogar um DK para juntar honra para trocar por itens. Você *PRECISA* ser confiável, prestativo, ter um microfone e não ser arrogante. Eu tenho uma conta de clérigo mas talvez você tenha que mover seu curandeiro para Eitrigg PVE. Deve ter disponibilidade para começar o mais rápido possível (tipo AGORA)!
- Compensação: O pagamento é de 50 dólares por hora jogada, e sobe para 100 dólares por hora jogada depois de atingida a qualificação de 1850, mais um bônus de até 5000 dólares por uma qualificação de 2350.
- Sem problemas com trabalho remoto.
- Isto é um trabalho de meio período.
- Isto é um contrato de trabalho."
A tradução do jargão pode ter ficado um pouco comprometida, uma vez que eu não sou do ramo, mas você pode conferir abaixo um screenshot do anúncio completo:

Mesmo sem saber direito quais seriam as funções do contrato, eu diria que o valor impressiona. Sem contar com eventuais bônus, temos aí um salário mensal de quase dez mil reais por um trabalho de meio período como babá de newbie jogando o mais popular dos jogos online! Isso mesmo: DEZ MIL REAIS!! Pra que diploma? Pra que concurso público? Pra que ter pai rico? O emprego do futuro chegou!
Triste mundo em que um homem adulto com dez mil reais sobrando precise terceirizar talentos para inflar um ego inseguro em uma realidade digital efêmera. Em dez anos, World of Warcraft será uma pálida lembrança de sucesso da Blizzard e um certo clérigo sem amigos será apagado em um piscar de olhos ao virar de chave de um servidor aposentado. E algum jogador dedicado poderá contar ao seu filho como a poupança da faculdade teve início...
Ouvindo: Rammstein - Amerika
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15 de setembro de 2009
Com o sucesso de títulos como Left 4 Dead, Dead Rising e Resident Evil 5, os mortos-vivos provam que são capazes de ressuscitar no imaginário coletivo. Filmes como Madrugada dos Mortos, Terra dos Mortos, Diário dos Mortos, REC, Dead Snow, Extermínio 1 e 2 e tantos outros tomaram de assalto as telas de cinema como uma horda faminta. Nada escapa da sanha destas criaturas.
Mas tudo tem seu lugar.
Eu não falei nada quando a Marvel Comics lançou versões zumbificadas de seus personagens.
Eu fiquei quieto quando a DC Comics praticamente decidiu fazer a mesma coisa.
Quando Call of Duty World at War resolveu lançar mapas multiplayer com zumbis, eu até me empolguei.
Eu ri do Pateta Zumbi de Madeira.
A proposta de fazer um falso "reality show" com mortos-vivos periga ser uma crítica construtiva sobre a mitologia e sobre nossa saturada mania de assistir a vida alheia.
Entretanto... chegamos ao limite:
Eu sou fã de carteirinha de Guerra nas Estrelas. Do tipo que já assistiu os filmes da trilogia clássica mais de dez vezes.
Também sou fanático por mortos-vivos: jogos, livros, filmes, o que vier, eu curto.
Mas... zumbis no espaço?! George Lucas enlouqueceu.
"Eles estão vindo te pegar, Leia"
"Death Troopers" é uma expansão para o fracassado MMORPG Star Wars Galaxies a ser lançada em outubro. Pegando carona no sucesso do jogo de zumbi da Valve, a Sony tenta erguer o MMORPG de sua tumba a qualquer custo. Ou será que não?
Por mais bizarro que possa parecer, a expansão está atada à publicação de um livro oficial com o mesmo nome, onde o escritor Joe Schreiber ousa levar a franquia Guerra nas Estrelas a um estilo onde jamais esteve:
"Quando a nave-prisão Purge quebra em uma distante e inabitada parte do espaço, sua única esperança parece estar com um Star Destroyer encontrado a deriva, aparentemente abandonado. Mas, quando uma equipe de abordagem é enviado para vasculhar por peças, apenas metade dela retorna – trazendo consigo uma aterrorizante doença tão letal que dentro de horas, quase todos abordo da Purge irão morrer. E a morte será apenas o início.
De dentro do Star Destroyer, em meio a sua vastidão vazia que não está realmente vazia afinal, os mortos estão se erguendo, sem alma, implacáveis e indescritivelmente famintos."
A história do terrível destino da Purge se passará após os eventos do Episódio IV (o que explica a presença de Han Solo na imagem acima).
Enquanto isso, o próprio Star Wars Galaxies periga se tornar um morto-vivo. Com doze servidores a serem fechados no próximo mês e com a vertiginosa aproximação de seu sucessor, The Old Republic, o destino do primeiro MMORPG da franquia pode ser tão ou mais cruel do que o da tripulação da Purge...
Ouvindo: Vangelis - Wait For Me
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25 de janeiro de 2009
Um professor americano levantou a possibilidade de apresentar um curso de economia baseado em... World of Warcraft. O O economista e acadêmico David Friedman acredita que os mecanismos econômicos envolvidos na transação de itens no jogo online são bastante complexos e apresentam questões interessantes para um futuro economista. Temas como mercados e preços, leilões, oferta e procura, cartelização, demanda, padrões de preços, arbitragem estão presentes na dinâmica do jogo.
Friedman, jogador do MMORPG, sinaliza que o jogo poderia despertar o interesse dos estudantes, ao mesmo tempo que oferece a eles amplo material para análise.
Ele cita o bizarro caso que aconteceu com sua esposa, freqüentadora da casa de leilão dentro do mundo de World of Warcraft. Ela teria testemunhado em tempo real uma tentativa de cercar um nicho de mercado e criar um cartel – um cartel ao qual ela teria sido convidada a participar. Sua recusa a "entrar no esquema" foi acompanhada por uma ameaça explícita de ser tirada do mercado por mercadorias mais baratas que as dela.
Meus conhecimentos de economia são mínimos, mas eu sei que a tática é uma versão em menor escala do dumping. O cartel secreto dentro de WoW pretendia minar a concorrência (todos aqueles que não aderissem) vendendo mercadorias por um preço absurdamente baixo. Mas Friedman prova que existe uma diferença entre uma quadrilha de aproveitadores eletrônicos e um autêntico catedrático em economia, e usa seu conhecimento para apontar o erro do pretenso cartel:
"O organizador do cartel aparentemente não leu a análise de Aaron Director, refletido no clássico artigo de McGee sobre o mito do preço predatório; não lhe ocorreu que se ele estava vendendo, a um preço artificialmente baixo, dez vezes mais gemas que seu alvo, ele também estava perdendo dinheiro dez vezes mais rápido. Levou alguns dias para ele descobrir a falha em sua estratégia e abandoná-la."
Roubo nas Estrelas
EVE Online é para muitos jogadores A alternativa para quem não está interessado em elfos, orcs, feiticeiros e outros clichês de RPG repetidos ao infinito. Ao contrário da concorrência, este MMORPG abrange o espaço sideral, civilizações superavançadas, naves espaciais e grandes corporações.
Estas grandes corporações são criadas, organizadas e mantidas pelos próprios jogadores, uma versão megalômana e burocrática das antigas guildas. Entre estas grandes empresas virtuais existentes no universo do jogo, se destacam os bancos privados. Ainda que o mecanismo do jogo ofereça um sistema bancário, digamos assim, público, alguns "especuladores" preferem montar sua própria estrutura e investir seu precioso dinheiro virtual em fundos de grande risco.
Como no mundo real, estes fundos privados apresentam alta rentabilidade. Como no mundo real, eles são controlados por seres humanos. Como no mundo real, a carne é fraca e impera a lei da selva. Esta semana, um ser humano realizou o maior desfalque virtual da história.
O jogador Xabier, Gerente de Investimentos do banco privado Dynasty Banking, sumiu com 86 Bilhões de ISKs (a moeda do mundo de EVE Online) que estavam sob sua responsabilidade direta. Rapidamente, a diretoria do banco virtual divulgou uma nota amenizando o desvio do dinheiro e ratificando que a organização ainda tem saldo para honrar suas dívidas e que os investidores não devem se preocupar.
O que acontece com Xabier? Pelas regras do jogo, não há violação nem punição. Desde que ele não converta sua fortuna em dinheiro real (cerca de 350 dólares, no final das contas), a produtora não tem motivos para cancelar sua assinatura. Dentro da mentalidade de tentar criar uma atmosfera opressora e competitiva em um futuro distópico, Xabier está, na verdade, prestando um favor para os criadores do jogo. Considerando que a "morte" tem pouco ou nenhum efeito no universo de EVE, também é pouco provável que Xabier tenha sua cabeça colocada a prêmio pelos outros jogadores. Não será de se estranhar se, dentro em breve, ele abrir seu próprio ramo de negócios ou arregimentar uma frota de naves mercenárias e der um golpe de estado em algum enclave criado por outros jogadores.
Admirável Mundo Novo
Situações como essas são mais comuns do que se imagina, à medida que regras mais elaboradas são implementadas nos jogos online, à semelhança do mundo real.
Em 2003, o professor de economia Edward Castronova, da Universidade Estadual da Califórnia, já propunha um estudo sobre as economias virtuais. E ia além, ao perguntar se estas economias iriam afetar as economias e governos do mundo real. A resposta? "Se os mundos virtuais se tornarem uma grande fração da vida diária dos homens, seu desenvolvimento pode ter um impacto nas macroeconomias da Terra".
Ouvindo: Wolfsheim - Leave No Deed Undone (Live)
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15 de janeiro de 2009
Fabio Bracht postou hoje um artigo polêmico no blog Continue, relatando suas desagradáveis experiências com outros jogadores brasileiros em jogos multiplayer. Com o perdão dos palavrões (justificados pela extrema indignação), reproduzo aqui seu desabafo:
"Deixa eu contar uma história. Uma história que certamente não é a primeira do tipo por que eu passei, mas foi a que me irritou o suficiente para escrever este post.
Uma história que aconteceu em Team Fortress 2, mas que poderia ter acontecido, de forma bastante parecida, em qualquer outro jogo online, de Counter-Strike a World of Warcraft.
Mas já aviso: o texto é grande e não muito simpático.
Meu primeiro contato com Team Fortress 2 foi no 360, quando eu comprei o Orange Box, numa época em que não tinha PC pra jogar decentemente. A maior diferença de jogar no console não é a jogabilidade, o fato de ter que trocar teclado e mouse por joystick. Não. A maior diferença é que todos os servidores de jogo são “gringos” e quase não há brasileiros jogando.
Se eu disser que tudo era perfeito em relação ao comportamento do pessoal, estarei mentindo (até porque estamos falando da Xbox Live). Mas também é verdade que em boa parte do tempo o que eu ouvia pelo headset eram coisas como “tem Spy chegando na base”, “tá vindo um Heavy com Medic, se liguem” ou “me avisa quando você colocar sapper na sentry pra eu poder destruir”. E em boa parte das (poucas) vezes que eu perguntava alguma coisa de noob, era respondido. Foi assim que aprendi o básico para se jogar TF2.
Agora corta para ontem, quando jogava uma animada partida na hora em que um garoto entrou no jogo e perguntou, meio preocupado, “vocês sabem se o update do Scout já saiu?”, ao que um outro cara, mais velho, respondeu: “já sim, você não baixou?”
– Não… nem tô sabendo de nada.
– Ih, cara, se liga. Se você não baixar até hoje ao fim do dia, vai perder o jogo.
– Hã?! Como assim? *preocupado*
Mentira, óbvio. O update do Scout já foi prometido indiretamente pela Valve, mas ainda não saiu e nem tem data pra isso. Mas o que mais me impressionou foi a velocidade em que o mentiroso respondeu. Não rolou uma consulta à consciência, um “vale a pena enganar o moleque só pra dar umas risadas? Ah, vale, foda-se”; não houve hesitação. Simplesmente no instinto, o cara mentiu. Não levou dois segundos. Foi o primeiro reflexo dele.
Mas minto: algo me impressionou tanto quanto isso. Foi o fato de que mais três ou quatro caras que estavam no jogo terem se juntado ao mentiroso, para ajudar na mentira, deixando o coitado do novado preocupado, enquanto todos os outros simplesmente riam em silêncio atrás dos seus computadores ou, pior, achavam aquilo uma merda mas não se manifestavam.
Eu fiquei tão fervendo de ódio com tamanha filhadaputice que demorei um pouco pra intervir. Estava sem headset, então soquei o caps lock e digitei: “NÃO, CARA, NADA DISSO! ESPERA AÍ!”. Num segundo eu dei alt+tab e fui confirmar o endereço do blog oficial do TF2, que queria passar pra ele, dizendo pra consultar sempre ali, porque seria o lugar onde o update seria anunciado quando saísse.
Ao voltar pro jogo, o moleque já tinha saído, provavelmente apavorado e achando que ia perder o jogo por não ter feito o update (vamos poupar o julgamento do carinha, ok? Por mais que seja ridículo alguém acreditar que pode perder o jogo só por não ter feito um update, todos já fomos noobs nessa vida.) Eu perguntei pro pessoal se eles lembravam do nick dele, porque queria adicionar ele no Steam pra falar com ele e tal.
Pra quê? Começaram a me tirar pra otário. E eu, mesmo sabendo que não é o mais indicado a fazer, respondi: “como vocês são uns filhos da puta sádicos”.
A partir daí foi um festival de tudo que há de pior na humanidade. Um digitou “nossa, como ele é bondoso, ui!” no chat. Outro me disse, pelo headset, que se eu gostava tanto do moleque era pra eu ir lá e deixar ele me comer (!). Outro mudou o nick para “Sr. Filho da Puta Sádico”. Outro tirou barato de mim, dizendo que “com certeza esse tal de Bracht já caiu numa mentira dessas, por isso fica aí todo se fazendo de bom”. Não, amigão, respeito é um troço que eu sempre tive.
Cara, fiquei profundamente enojado dos meus compatriotas. E digo compatriotas porque, sim, às vezes eu ainda jogo em servidores estrangeiros (no Brasil quase não se acha gente pra jogar o modo Arena), e é NOTÁVEL a diferença de educação. Salvo as inevitáveis exceções, ninguém fica falando merda aleatória no microfone, as pessoas se ajudam, o estilo de jogo é mais focado do trabalho em equipe. Até os nicks são bem diferentes.
Ah, os nicks. Preciso fazer um capítulo em separado para os nicks.
Os nicks
Deixa eu mostrar os nicks de algumas pessoas que estão na minha lista de “recent players” do Steam.

Por que, meu Deus, POR QUÊ escolher um nick BABACA como esses? Um nick ilegível, impronunciável e que denuncia tão na cara que você é um infeliz que não sabe jogar em equipe! Sim, porque como eu vou avisar ao senhor 8 ) que tem um Spy atrás dele, ou que eu preciso de cura, ou que ele deve ir pela entrada da esquerda em Well porque na direita tem sentry? “Cuidado aí, oitofechaparêntese!” Ah, vá se foder com força!!!
Caras que usam nicks assim são minoria nos servers gringos. Eles existem, e são um problema como aqui, mas não são a regra. Normalmente usam Sniper, Spy, ou outra classe que é capaz de trabalhar meio fora do teamplay. E muitas vezes são bons, acabam ajudando o time indiretamente.
No Brasil não: é raro encontrar alguém que tenha visivelmente se esforçado para criar um nick inteligente (ou que pelo menos use o seu próprio nome, como eu), em oposição aos numerosos casos de gente que criou o nick pensando unicamente em mostrar aos amiguinhos como ele domina o Mapa de Caracteres do Windows. E todos eles jogam com todas as classes, óbvio, inclusive com Médicos e Engenheiros (classes de suporte, que praticamente só servem, ou serviriam, no caso, para ajudar os outros), trazendo consigo todo o egoísta-você-que-se-exploda-lifestyle.
O F10
Esse é outro que merece um capítulo separado. O F10. Quantas mil vezes eu já me deparei com isso? Explico: F10 é a tecla que sai do jogo. Dá quit no servidor. Agora adivinha qual é a resposta padrão para qualquer pergunta que um inocente novato fizer?
“Como abre as armas novas, alguém sabe?”
“Aperta F10 e escolhe no menu”.
Noob left the game (Disconnected by user).
“Como eu subo nesse lugar aí onde vocês estão?”
“Aperta F10 que tem um pulo mais alto lá”.
Noob left the game (Disconnected by user).
“Como dá critical hit?”
“Tem que apertar F10 pra ligar o critical”.
Noob left the game (Disconnected by user).
“Como cura?”
“Aperta F10”.
Noob left the game (Disconnected by user).
Não é o CÚMULO da filhadaputice? Em vez de ensinar os outros a jogar, o pessoal (e não é um ou dois, eu já vi isso acontecendo INÚMERAS vezes) simplesmente faz com que o coitado do cara, que acabou de comprar o jogo e tá querendo aprender a se divertir, essencialmente se “auto-kicke” do jogo.
E notem que, além de ser algo extremamente idiota / filhodaputa / egoísta / babaca / sádico / canalha de se fazer, quem faz isso está SE prejudicando por um mísero LOL. Se o carinha tava perguntando “como cura”, é porque ele estava querendo jogar de Medic, e TODO time precisa de Medic em QUALQUER situação. Sem contar que o Noob tem grandes chances de, em vez de abominar uma atitude como essa, resolver que a melhor forma de lidar com isso é aproveitar a primeira oportunidade pra pegar outro Noob nessa pegadinha. Porque brasileiro é filho da puta em jogos online, não tem jeito.
Conclusão
Se você é brasileiro e joga online, por favor esforce-se para não ser um filho da puta. Já há demais deles. Adote um noob. Ensine como jogar, como se comportar (regra número um: não seja o babaca que você não tem coragem de ser no mundo offline) e, principalmente, ensine que o cara mais legal do servidor não é o cara mais estúpido.
E se você for o carinha que saiu do servidor achando que ia perder o jogo porque não baixou o update do Scout que ainda nem existe, saiba que está tudo bem.
Ao final, Fabio Bracht conclama todos aqueles que compartilham da sua opinião a espalhar o texto na internet. Dado meu triste histórico em jogos multiplayer, eu nunca passei ou assisti situações semelhantes à relatadas. Mas também... a última coisa que eu joguei online foi Quake 3 e durante 5 minutos. Vejo que a situação deteriorou um bocado desde então.
O nível de revolta de Bracht me faz lembrar o mais revoltado post que eu já escrevi, ainda em meu antigo blog (já extinto e fora do ar). Não tem relação com jogos. Mas tem relação com o caráter de muitos indivíduos do nosso povo. Em 9 de Setembro de 2005, eu escrevia:
Dizem que não é uma boa idéia misturar blog com política, a menos que esta seja a proposta daquele. E a nossa proposta é fornecer "uma visão pessoal sobre as tecnologias Microsoft e o mundo de TI". Então, vou logo adiantando: o assunto a seguir tem relação com tecnologia sim, senhor. Mas também é um desabafo político.
Como alguns devem saber, recentemente aconteceu uma falha grave no sistema de um famoso site de vendas nacional. Uma mal-programada "promoção" prometia descontos de 15 reais nas compras acima de 50 reais. O erro estava no cálculo: o desconto era aplicado a CADA produto da lista de compras do usuário, ao invés de ser aplicado ao total da compra. Assim, quem quisesse comprar dois CDs por 20 reais cada, acabava pagando apenas 5 em cada um. A falha já foi corrigida, mas o estrago foi grande. A empresa alega que todos os pedidos feitos através desta falha foram cancelados e os valores estornados aos usuários.
O que realmente me irrita não foi a demora do site em detectar e corrigir a falha. Este é um problema deles, com todo o respeito. O que me tira realmente do sério é o fato de uma parcela de internautas brasileiros se aproveitarem deste bug para tirar vantagem. A notícia da "promoção" se espalhou pelo Orkut, por fóruns e outros sites como um incêndio no matagal. E dezenas (talvez centenas, jamais saberemos, jamais será divulgado) de pessoas correram para o site para fazer pedidos de coletâneas de DVDs, CDs e outros bens de consumo baratos o bastante para maximizar o lucro do desconto de 15 reais. Não duvido que no meio da confusão existam pessoas que não desconfiaram do problema e/ou se espantaram com a fantástica promoção do site. Mas... não sou ingênuo a esse ponto. Essa imensa massa de "espertinhos" agiu de má-fé e avançaram sobre uma empresa vulnerável com tantos pedidos que o sistema chegou a sair do ar. É vergonhoso.
São estas as mesmas pessoas que gritam slogans contra o Mensalão? São as mesmas pessoas que pedem a cabeça de Lula, Severino e Maluf? São estas as pessoas que se vestem de preto e colocam nariz de palhaço para protestar contra a corrupção do Governo? E depois voltam a suas casas, acessam a Internet e FRAUDAM um site de comércio eletrônico. E ameaçam entrar na Justiça por "propaganda enganosa" caso seus pedidos não sejam entregues.
Tenho vergonha desta gente. Vergonha e medo. Medo porque, no dia em que eu cometer um erro no meu banco de dados, eles vão sabotar o meu site e roubar meu conteúdo sem perdão. Medo por que se esquecer a porta da minha casa aberta eles vão entrar e levar tudo.
A empresa descobriu a falha a partir de uma denúncia anônima. Não foi minha. Mas poderia ter sido. Poderia ter sido sua também. Eu prefiro acreditar que você que está lendo isto é honesto e decidido a mudar este País de dentro para fora, como eu. Sem pilantragem, sem esquemas, sem "molhar a mão" de ninguém, sem mentiras.
Ouvindo: Sepultura - Rest In Pain
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10 de dezembro de 2008
A cada novo detalhe sobre The Chronicles of Riddick: Assault on Dark Athena, percebe-se o quanto a Starbreeze está decidida a criar uma nova experiência ao invés de simplesmente requentar (o excelente) Escape from Butcher Bay. A última novidade anunciada é a inclusão de um elemento multiplayer no jogo.
Uma outra empresa, porém, teria se contentado apenas com o tradicional Capture the Flag e o mata-mata desenfreado do Deathmatch. Assault on Dark Athena irá apresentar também um confronto entre times de guardas e prisioneiros, simulando uma fuga em massa do presídio espacial Mas a Starbreeze optou por uma vez mais capitalizar em cima do personagem Riddick e oferecer um quarto modo, muito mais tenso. Em homenagem ao primeiro filme da série, o novo modo chama-se Pitch Black.
Neste modo, os jogadores se dividem em dois times: mercenários e... Riddick. Em uma arena envolta em total escuridão, o time dos mercenários deve tentar localizar com lanternas e eliminar o jogador designado como Riddick, antes que ele elimine o time inteiro. Riddick, como todos sabem, enxerga no escuro, se move em silêncio absoluto e é uma máquina de matar com todo tipo de objeto cortante ou apenas com as mãos vazias. O jogador que tiver a sorte de derrubar Riddick, será Riddick na próxima rodada e o ciclo de gato e ratos se repete.
Qualquer um que tenha jogado Escape from Butcher Bay sabe que não é nada agradável estar do lado oposto da lâmina do assassino quando as luzes se apagam.
Ouvindo: Futuristic Sex Robotz - Checking Out
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21 de agosto de 2008
Relendo minha ferrenha crítica do jogo Brothers in Arms: Road to Hill 30, percebi que dois pontos não ficaram muito claros. Para ser completamente justo, vamos a eles:
- Não tenho nada contra jogos onde é possível pausar a ação para tomar decisões táticas. O que me irritou foi a artificialidade do recurso em um jogo de Segunda Guerra Mundial e sua implementação. Knights of the Old Republic realiza praticamente o mesmo truque, sem forçar o jogador nessa direção ou quebrar o ritmo da batalha.
- O mais irritante, no final de tudo, não é a irrealidade do jogo, seu aspecto híbrido ou a infeliz homenagem ao sargento Harrison C. Summers. O que irrita mesmo é a absoluta falta de variedade do jogo. “Suprimir, flanquear, finalizar” perde o charme em meia hora de partida, mas é o procedimento que você irá repetir por horas e horas a fio.
Como tiro de misericórdia em Brothers in Arms, existe o aspecto multiplayer. Tendo o jogo guardado entre tantos outros aqui em casa, o que me chamou a atenção foi o convite de um amigo, para experimentar o jogo e talvez compartilhar uma missão ou outra online. Apesar de meu triste histórico em jogos multiplayer, a oportunidade parecia perfeita. Para minha desilusão, o jogo suporta apenas dois tipos de conexão: LAN e através dos servidores da UBI.COM. Nada de rodar meu próprio servidor e conectar via IP. LAN está fora de cogitação. Quem, em sã consciência, cruzaria meia cidade com o computador no carro para montar uma LAN Party de dois?
A alternativa: UBI.COM. Após um tedioso processo (fora do jogo) para criar uma conta, vamos conectar! Nada acontece. OK. Deve ser o firewall. Coloco o firewall em game mode. Nada acontece. Desligo o firewall. Nada. Reinicio o jogo. Nada de nada. Parece que eu e meu amigo vamos ficar sem poder suprimir, flanquear, finalizar. Minha sina de looser multiplayer segue inalterada.
Pontos positivos de Brothers in Arms: o conteúdo extra do jogo é bem interessante e documental para os aficcionados pela Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, triste é o jogo em que o conteúdo extra é o único ponto positivo. Os gráficos são superiores aos da concorrência. Pontos negativos de Brothers in Arms: “Suprimir, flanquear, finalizar”. “Suprimir, flanquear, finalizar”. “Suprimir, flanquear, finalizar”. Nota final: 6.0.
Ouvindo: Front 242 - Seq666 E
Marcadores: FPS, jogando, multiplayer
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11 de julho de 2008
Quando eu comecei a namorar minha esposa, eu já estava novamente no vício dos jogos eletrônicos. Apenas um nerd viciado fica jogando no computador do pai da namorada quando aparece para visitar e eu era um nerd viciado. Para minha sorte, consegui conciliar os dois universos e hoje vivo bem com todo mundo. Mas, para isso, eu tive que fazer hotseat com minha sogra. Culpa dos duendes...
Na época eu tinha acabado de comprar o CD de Terror da CD Expert e, completamente cego pela necessidade de jogar e jogar, instalei alguns demos na máquina do futuro sogro. Naturalmente, a maioria dos jogos não despertou nada além de estranheza na casa (talvez uma ligeira desconfiança sobre minha idoneidade enquanto “bom partido”, jamais saberei). Mas o jogo 3-D Ultra Pinball: Creep Night caiu como uma bomba no sacrossanto lar.
Em pouco tempo, o jogo virou mania. Nem eu e nem ninguém sabia como jogar direito um Pinball; apenas ficávamos sentados em frente ao monitor, esmagando as teclas que moviam as palhetas e torcendo para a bola ir para o lugar certo. Mas ríamos como crianças, torcíamos e gritávamos diante de lances inusitados. Foi tão envolvente que minha futura esposa teve a iniciativa de comprar o jogo completo, quando foi lançado nas bancas.
A festa aumentou: organizamos campeonatos informais, em que nos alternávamos em turnos na cadeira (o tal do hotseat), para ver quem batia o recorde de quem. Liberávamos mini-games dentro do Pinball, alcançávamos novas fases que nem suspeitávamos existir. Minha sogra até jogava durante a semana, mesmo quando eu não estava lá.
3-D Ultra Pinball: Creep Night é um jogo que ninguém nunca completou. E acredite ou não, ele tem uma história, um modo campanha com começo, meio e fim. Éramos ruins demais nos controles para chegar ao fim. Mas não importou. Aqueles tardes de integração e alegria foram ímpares. E inesquecíveis.
Ouvindo: Biquini Cavadão - Inseguro De Vida
Marcadores: multiplayer, nostalgia
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24 de junho de 2008
A criatividade dos modders parece não ter fim. Quem ainda se preocupa com Quake III Arena? O mesmo responsável pela brilhante idéia de criar um mapa da Springfield dos Simpsons para disputar um deathmatch!
Do lado de fora, o mod perde muito em comparação com o jogo (oficial) Hit and Run. Mas é impressionante a qualidade dos detalhes do interior da casa dos Simpsons!
E quem ainda se preocupa com Hit and Run?
Fonte: http://games.meiobit.com/quake-iii-arena-em-springfield-com-os-simpsons
Ouvindo: KMFDM - pity for the pious
Marcadores: FPS, humor, multiplayer, vídeo
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7 de abril de 2008
Em 99,9% dos casos, eu prefiro jogar contra a máquina e a inteligência do programador que desenvolveu o jogo. Depois de anos de experiência, alguns minutos de jogatina e eu já consigo identificar as fraquezas do comportamento de meu inimigo e como tirar vantagem. Raras são as vezes que a dita "AI" me surpreende. Ao jogar contra outro ser humano, porém, tudo pode acontecer. Posso contar nos dedos as vezes em que saí de minha toca e me aventurei no imenso espaço dos jogos multiplayer.
Nos primórdios da Internet a vapor, havia um tipo de jogo chamado MUD. Era o avô dos MMORPG de hoje em dia: texto branco correndo em uma tela negra, interação por comandos, nem um único gráfico de 8 cores que fosse para enfeitar o pavão. Parecia DOS. Se você usasse o (tosco) programa de Telnet embutido no Windows, as limitações dobravam. Se você começou a usar computadores agora, não terá idéia do que se trata: uma conexão com a Internet que não usa o navegador ou o programa de email? Um jogo sem gráficos? Era como um imenso chat (alguém ainda usa chats hoje em dia?) de RPG com desafios e... OK, desisto de explicar. Se você ficou curioso, experimente www.mud.com.br. É o endereço do antigo ABBA MUD que eu frequentava (e que já mudou de nome e direção várias vezes).
Passei muitas madrugadas no ABBA MUD. O lag era imenso. No meio das batalhas, a conexão caía. Ou o servidor caía. Ou seu aliado caía. Mas era divertido. Conduzi meu personagem do nível 0 até a Imortalidade. Explorei cidades, matei dragões, encontrei tesouros, ajudei newbies e uma vez eu até roubei a chave do prefeito e tranquei a cidade principal.
Foi o último momento de glória em minha errática carreira de jogador virtual.
Pwned
Joguei Quake em uma linha discada de 33Kbps no servidor do UOL. Morri diversas vezes. A conexão caiu outras tantas. Matei um cara, um único cara. A sensação foi bizarra: eu atirei um foguete nas costas de um sujeito que eu não conhecia e ele ficou ali, inerte no chão. Experimentei o assassinato virtual pela primeira vez. Por alguns segundos senti um misto de euforia, medo e pena. Depois levei um foguete nas costas de um outro sujeito que eu também não conhecia. E nunca mais acessei o servidor UOL para jogar Quake. Faltava naquela matança desenfreada o senso de realização que só um jogo individual permite ou o senso de pertencimento e cooperação que havia no MUD.
Deveria ter aprendido a lição, mas tive a infelicidade de estar com Quake 3 instalado na máquina quando consegui minha primeira conexão banda larga. Com o jogo zerado, pensei: "como será enfrentar seres humanos, ao invés destes bots?". Acreditei por alguns minutos que o fato de ter chegado ao fim da campanha single-player do jogo seria uma garantia de competência. Como fui tolo e arrogante. Conectado no servidor UOL (novamente), não conseguia manter meu avatar vivo por mais de 20 segundos seguidos. Meus adversários se moviam em velocidades próximas da luz e seus reflexos não eram humanos! Ou talvez eu não seja tão bom assim no Quake 3... Desisti, sem um único frag para repetir a façanha do Quake original.
Ao completar Delta Force - Land Warrior, cometi a estupidez de experimentar o modo online. Nada contra o sistema de salas da Novalogic. Mas, digamos, que meu tempo de sobrevivência no deathmatch não era muito superior do que os vinte segundos de Quake 3. Em um dos mapas, eu morria ainda descendo de pára-quedas, antes de tocar o solo. Desisti, mais uma vez sem causar uma única baixa nas legiões de jogadores hardcore que se reuniam online para xingar e matar. Ainda consegui alguma diversão nos mapas cooperativos, mas nada muito empolgante além da dádiva de permanecer vivo por um pouco mais de tempo.
Quando terminei Quake 4, eu... desinstalei antes que fosse tarde demais. Quantas vezes você acha que eu preciso quebrar a cara para aprender?!
Entre Amigos
O grande problema, naturalmente, é a imensa distância entre minhas preguiçosas habilidades de jogador-com-mais-de-30 e as prodigiosas habilidades de meus oponentes adolescentes-com-muito-tempo-para-treinar. Quando eu tinha a idade deles eu também era muito bom em River Raid e Enduro e uma vez dei uma surra em um tio meu que se achava invencível no Tennis no Atari. Mas os anos são cruéis, a coordenação motora atrofia, o cérebro vai relaxando. Experiência de vida não ganha frags.
Então, qual seria a solução para o jogador solitário? Certamente, a resposta não está no servidor de Quake do UOL ou semelhante. A alternativa seria jogar com outros fracassados!
Comprovando que a sina de um perdedor é algo difícil de se livrar, tenho poucos amigos. Dentre eles, poucos tem o hábito de jogar. E os que jogam não tem conexão banda larga ou não tem o mesmo gosto que eu ou estão sem tempo! É mais fácil programar um cinema do que uma partida online...
Já joguei Diablo via rede dial-up com um amigo. Mas a linha caía muito. Muito mesmo. Digamos, a cada cinco minutos. Não era divertido. Ainda mais quando o sujeito me usava como "guarda-volumes". Como funcionava o sistema? Ele estava construindo personagens poderosos para a Battle.NET da Blizzard e jogava-os em modo multiplayer sem conectar com ninguém, para subir de nível e obter ítens. Ocasionalmente, o personagem X conseguia um artefato que seria de grande ajuda para o personagem Y dele. Ele me telefonava e pedia uma conexão. O personagem X dele se encontrava com o meu personagem Zé das Couves e entregava o artefato. Ele desconectava. E conectava de novo, desta vez com o personagem Y, que receberia o artefato das mãos de Zé das Couves. Parece trapaça? Não chegava a tanto porque ele nunca conseguiu uma conexão decente com a Battle.NET, fosse com X, fosse com Y, com ou sem o dito artefato.
Divertido mesmo foi quando eu joguei Quake na rede local do escritório em que trabalhava com uma galera. Obviamente, não vou citar nomes. De qualquer forma, não tenho certeza se seria motivo para justa causa: jogamos após o expediente, com a aprovação do gerente (que não chegou a entrar na jogatina, mas ficou assistindo). Chovia lá fora torrencialmente e sabíamos que nenhum ônibus iria passar na rua. Então, alguém levantou a bola do Quake e o que seria uma partida rápida para esperar a chuva passar se transformou em uma hora e meia de carnificina. Tenho orgulho em dizer que fui o segundo lugar na quantidade de frags. Estava entre iguais...
Counter-What?
Estatisticamente, a média do jogador atual é de 33 anos. Mas são os mais jovens que dominam o universo dos jogos multiplayer. E a popularidade destes jogos cresce avassaladoramente. Os caçadores de tendências não dormem em serviço e já chegamos à era em que jogos são lançados focados apenas neste aspecto ou com uma tímida adição de um modo single player.
Do fundo da minha toca, eu apenas observo a vizinhança, enquanto me preparo para surrar mais uma vez a boa e velha "inteligência artificial"...
Ouvindo: Say-Y - Angels
Marcadores: FPS, multiplayer
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