Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos

7 de fevereiro de 2010

MMORPGs Morrem, Lendas São Eternas

Anos atrás fui forçado, por razões financeiras, a escolher: Marvel ou DC? Seria impossível continuar comprando revistas das duas editoras. Escolhi a casa do Superman, Batman e Liga da Justiça. Quase uma década depois, permaneço fiel a essa decisão, entre altos e baixos, alimentando minha paixão por super-heróis. E, agora, a recompensa pode ter chegado:

A nova série semanal da DC Comics, dando sequência à moda de periodocidade (sic) a cada sete dias iniciada por 52 e em hiato desde o fim da curta Wednesday Comics, vai se chamar DC Universe: Legends. E, pela primeira vez, não terá relação alguma com a continuidade tradicional do universo DC, apesar do nome. A série vai se passar no mundo do game DC Universe Online.

DCU Atire a primeira pedra o fã de quadrinhos que nunca quis, em seus sonhos, ser um herói. Em DC Universe Online, você poderá viver a sensação da melhor maneira que a tecnologia atual permite, sem precisar ser atingido por um relâmpago ou ser o último sobrevivente de outro planeta.

Entretanto, eu tenho meus motivos para não estar explodindo de antecipação. Afora meu triste histórico em jogos multiplayer, existe o receio de que a DC Comics esteja se arriscando demais. Primeiro, por que o título está em produção desde 2008 (o primeiro trailer provavelmente completará dois anos antes do lançamento oficial). Esse tipo de atraso, em 90% dos casos indica problemas internos de produção. Em 10% dos casos, indica capricho... Em segundo lugar, a DC está entrando em uma área onde não tem experiência, onde a Marvel amarelou e com uma empresa que não produz nenhum sucesso no gênero desde 1999 e que já matou uma grande franquia. Em terceiro lugar, ao contrário do que a maioria do público possa imaginar, você não terá a chance de interpretar nenhum personagem da editora: você será forçado a criar um super-herói inédito e apenas interagirá com os já estabelecidos. Em quarto lugar, tentar sincronizar uma revista semanal com os eventos de um MMORPG é tarefa digna de um Superman.

Por outro lado... vamos supor por um minuto que eles consigam. Vamos supor que tudo dê certo. Teremos um universo de super-heróis paralelo às 52 Terras do Universo DC, onde os acontecimentos serão controlados pela decisão dos leitores/jogadores. Teremos um MMORPG onde as missões serão escritas pelas grandes mentes que escrevem as histórias da DC: serão "narradores" profissionais oferecendo um mundo dinâmico para você brincar. Imagine um personagem criado por você tendo um crossover, publicado internacionalmente, com o universo principal da DC. Imagine uma outra Crise, que comece ou seja concluída online, em tempo real. Imagine criar um super-vilão, ser surrado pelo próprio Batman, ser enviado para o Arkham e armar uma fuga com o Coringa? Imagine criar um super-herói e salvar Metrópolis de Brainiac, com a ajuda de Superman?

DCUO - BatmanDCUO - GrundyDCUO - The FlashDCUO - Mr Freeze

A DC Comics pode ter em mãos a narrativa multimídia definitiva, um marco do século XXI a ser seguido e lembrado. Ou um retumbante fracasso.

Ouvindo: Loreena McKennitt - Cé Hé Mise Le Ulaingt? The Two Trees

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1 de novembro de 2009

Rir é o Melhor Remédio

Half-Life 2 acabou com um pouco de sua reputação queimada aos meus olhos diante da má-qualidade dos mods analisados. Porém, nada como um pouco de bom-humor para melhorar a imagem e espantar minha má-vontade!

Half-Life 2: Beat Box

Você sabia que existem mais de mil arquivos de som no jogo, sem contar as vozes de personagens? São barulhos de armas, explosões, portas se abrindo, efeitos de água, passos, objetos caindo e muito mais. E o que você diria se você descobrisse que um ucraniano (sempre tem um ucraniano na história) substituiu 1327 destes sons com efeitos criados com a própria voz? E se eu dissesse que nenhum destes arquivos foi editado e que ele gravou tudo direto do microfone? Se você está sem palavras, o resultado pode ser conferido abaixo e é hilário:

Gordon Freeman. Dentista.

Existe no Yahoo um serviço de páginas amarelas, com vários profissionais liberais listados. Incluindo um certo Freeman, Gordon F. Dentista de profissão. Residente na ensolarada Califórnia. E constante alvo de piadas.

Entre as várias funcionalidades do serviço do Yahoo, existe a possibilidade de clientes oferecerem análises do profissional em foco. E como o senhor Freeman recebeu elogios por serviços prestados!

"Eu apenas gostaria de dizer que eu estou realmente orgulhoso de Gordon por seus valentes esforços em livrar o mundo da ameaça do Combine." (Gabe Newell)

"Você fez bem derrubando aqueles Striders, Gordon! Ah caramba, foi minha brilhante genialidade que permitiu o seu sucesso, é óbvio." (Arne Magnusson)

"Perdoe-me por tê-lo traído lá no escritório de Breen, Gordon. Foi necessário para a missão. Por favor, cuide-se." (Judith Mossman)

"Dr.Freeman me salvou de um enxame de Manhacks nos esgotos! Este cara é o meu herói!" (Rebelde)

"O homem certo no lugar errado pode fazer toda a diferença no mundo." (G-Man)

Definitivamente, não há limites para o senso de humor alheio.

As Aventuras de Gordon Frohman

Frohman Pouco depois do lançamento de Half-Life 2, um certo Garry Newman produziu um mod estranho chamado simplesmente de Garry's Mod. Não tinha história. Não tinha muita ação. Não tinha nenhuma textura, arma, inimigo, personagem ou qualquer outra coisa nova à série. Mas revolucionou os mods e gerou uma infinidade de vídeos pela Internet. O mod do Garry permitia ao "jogador" brincar com o próprio universo de Half-Life 2, posicionando objetos, inimigos, aliados e monstros ou o próprio campo de visão a seu bel-prazer nos cenários. Permitia a montagem de filmes, de sketches, de peças de teatro e de qualquer coisa que a imaginação concebesse, usando os elementos da série como bonecos manipuláveis.

Usando esta ferramenta, Christopher C. Livinsgton decidiu criar um webcomic. Mais do que isso, ele decidiu revisitar todos os cenários de Half-Life 2, capítulo a capítulo. Não do ponto de vista de Gordon Freeman, mas de seu quase homônimo, Gordon Frohman. O nome do webcomic? Concerned.

Frohman vive em uma realidade um pouco diferente do mundo do famoso cientista/guerrilheiro. No mundo de Frohman, a incompetência impera. E nesta realidade de desastres cômicos e erros colossais, Frohman é o maior de todos os parvos, um perigoso inocente cujos atos de absoluta imbecilidade vão alterando o rumo da história e a vida de famosos personagens como Alyx, Barney e o Dr. Breen. Se você sempre quis saber por que existem tantos barris explosivos na City-17 ou como Ravenholm se tornou o inferno na Terra, essa é a sua chance.

Uma grande vantagem de Concerned sobre outros webcomics é que a série foi concluída. Você pode acompanhar toda a "saga" de Frohman do começo ao fim no seu próprio ritmo, sem se preocupar com atrasos ou com um final distante. Renda-se à anarquia.

Ouvindo: Witt - Tief In Der Tiefe

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27 de julho de 2009

Invasão Persa!

Prince of Persia - A Graphic Novel Anthology 2010 será o ano do Príncipe. Do Príncipe da Pérsia! Pelo menos, esse é o plano de seu criador, Jordan Mechner. Não apenas o acrobático personagem chegará às telas de cinema, encarnado por Jake Gyllenhaal, como também marcará presença nas bancas de jornal com uma graphic novel.

Mechner escreverá as seis histórias da revista, uma edição especial de 128 páginas e com capa criada pela lenda viva Todd McFarlane (que já foi um dos maiores desenhistas de sua geração antes de virar dono de uma linha de produção de action figures...). Prince of Persia - A Graphic Novel Anthology será lançada nos Estados Unidos em abril do ano que vem, sem a menor previsão de lançamento no Brasil, por enquanto.

O autor inventou a franquia vinte anos atrás, introduzindo movimentos fluidos e puzzles complexos no mundo dos jogos eletrônicos. Curiosamente, em 1989, Mechner utilizou vídeos e fotos de seu irmão mais novo correndo e pulando para criar as animações que tornariam sua criação famosa. Em 2003, participou da reinvenção do personagem no jogo Prince of Persia: Sands of Time e contribuiu na sua continuação, Warrior Within.

E Mechner também é um dos responsáveis pelo roteiro da adaptação cinematográfica! O filme chega aos cinemas em 28 de maio de 2010 e é dirigido por Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo). No filme, Ben Kingsley faz o papel do vilão Nizam, irmão do soberano do Pérsia que cobiça o trono e assassina o próprio irmão. A culpa pelo crime cai em cima do tal príncipe, que precisa provar sua inocência e impedir o reinado de terror do tio.

Confira abaixo os dois cartazes oficiais da produção (clique para ampliar):

princeofpersia_04 princeofpersia_05

 

Ouvindo: Sixer - The Race

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7 de julho de 2009

Sem Pressa...

Parece que o XKCD leu minha mente:

Clique para Ampliar

É a mais pura verdade! Mas o pior deste atraso-de-cinco-anos são os spoilers. Eu já sei que "the cake is a lie" tem anos. Mas não sei e nem quero saber ainda o que é este tal de cake. E rezo para que, quando eu sentar para jogar Portal, esta informação não estrague meu prazer...

Ouvindo: God Module - Orange And Black

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27 de junho de 2009

Indigo Prophecy e o Samba do Crioulo Doido

Indigo Prophecy tinha potencial para ser um clássico revolucionário dos jogos eletrônicos. Mas, em algum ponto de seu desenvolvimento, tudo deu errado e o roteirista foi acometido por um surto psicótico. A história policial com elementos sobrenaturais, tão intrigante e enxuta até a metade do jogo, descamba para uma inacreditável "salada" que mistura apocalipse, inteligência artificial, sacerdotes astecas, sociedades secretas, guerrilheiros e o segredo do universo. Shamus Young, responsável pela excelente sátira do Teste Admissional de Leon, resumiu em apenas quatro quadrinhos o processo criativo de Indigo Prophecy:

Indigo Prophecy - Roteiro

Tradução:

Um guia de escrita para Indigo Prophecy: Como Escrever seu Próprio Roteiro de Videogame.

1. Garanta um lugar confortável e quieto para trabalhar.











2. Sente-se com um lápis e uma folha branca de papel.















3. Consuma
Peyote.














4. Faça um jogo sobre o que quer que esteja no papel na manhã seguinte.

(no papel: "mistério policial, oculto, peitos!, segredos do universo!!!, tron, oh meu deus sexo com zumbis!)

Shamus também faz uma análise profunda do jogo, apontando os erros e acertos do título de uma forma que eu considero definitiva. Para quem entende inglês e quer saber por que Indigo Prophecy desceu ladeira abaixo em seu final, a leitura é obrigatória!

Ouvindo: Entwine - Tears Are Falling (Bonus)

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16 de maio de 2009

Penny Arcade Não tem Mãe

O pessoal do Penny Arcade foi um dos pioneiros no bem-sucedido casamento entre webcomics e jogos eletrônicos. Com tiradas bem boladas e sem poupar ninguém na indústria, eles já completaram 10 anos de atividades, tem seu próprio jogo e conseguiram uma legião de fãs. Mas, às vezes eles exageram um pouco...

Rock Band - Nirvana

Humor negro em estado bruto!

Ouvindo: Theatre of Tragedy - Senseless

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26 de abril de 2009

Índios, Dinossauros, Ciborgues e Outros Absurdos

Entre altos e baixos, a série de jogos baseados em Turok chegou ano passado ao seu sétimo(!) exemplar. Cinco anos após o lançamento do último jogo, sob a égide de uma nova desenvolvedora (a Propaganda Games), a saga do índio guerreiro matador de dinossauros teve uma nova repaginada, ganhou gráficos espetaculares (baseados na Unreal Engine 3) e prometia ressuscitar uma franquia que deixou saudades. Batizado simplesmente de Turok, a recepção foi bastante morna e as suas vendas não corresponderam às expectativas.

Se o jogo realmente merece o limbo das sequências mal-sucedidas eu ainda não posso avaliar. Mas, pelo menos, no campo das artes conceituais, o desenvolvimento do título primou pela excelência! Três dos artistas responsáveis conseguiram autorização da Propaganda e postaram uma quantidade avassaladora de artes da versão 2008 de Turok no site ConceptArt. Algumas (entre dezenas!), você confere abaixo:

Turok - Clique para Ampliar

Turok - Clique para Ampliar

Turok - Clique para Ampliar

Turok - Clique para Ampliar

Turok, Uma Saga

Por incrível que pareça, Turok, o personagem, surgiu há mais de cinquenta anos nas histórias em quadrinhos! Inicialmente, Turok era um índio pré-colombiano aprisionado junto com seu irmão Andar em um vale habitado por dinossauros. Suas histórias giravam em torno de uma contínua busca por uma saída. Anos mais tarde, Turok ressurgiria em outra editora com uma história ligeiramente diferente: desta vez, os dois irmãos seriam nativos norte-americanos do século XVIII e o vale "perdido" seria uma anomalia cósmica onde o tempo se arrastaria de uma forma muito mais devagar que o continuum. Posteriormente, outros elementos seriam acrescentados ao universo do personagem como alienígenas interessados em conquistar a anomalia, dinossauros com implantes cibernéticos e outras extravagâncias.

cover_concept Nos jogos eletrônicos, a cronologia de Turok se torna ainda mais confusa, com constantes modificações e muitos desvios dos quadrinhos. A principal vítima da adaptação é seu irmão Andar, que nem mesmo é citado. No primeiro jogo, a Terra Perdida agrega elementos de várias eras diferentes e está sob a ameaça de um ciborgue alienígena e um exército de mercenários, dinossauros, selvagens, robôs e outros acólitos. Em sua continuação, Seeds of Evil, o personagem principal chama-se Joshua Fireseed e pertence aos dias atuais, insinuando que Turok não é um indivíduo, mas um título para todo aquele que defender a Terra Perdida, uma espécie de legado passado entre gerações de índios e seus descendentes. Desta vez, a ameaça é uma força alienígena adormecida prestes a despertar. Em sua continuação, Shadow of Oblivion, uma entidade cósmica mata Joshua no começo da aventura e o jogador precisa escolher qual dos seus irmãos irá assumir o manto de Turok e proteger o universo desta força devoradora de almas.

A continuidade dá uma reviravolta no tempo em Turok: Evolution, onde a história retorna para o século XIX, quando um jovem índio chamado Tal'Set e seu inimigo mortal, o capitão Tobias Bruckner, são transportados para a Terra Perdida. Tal'Set aprende sobre a profecia de Turok, o protetor, e enfrenta Bruckner, que se associou a um tirano interessado em conquistar tudo que existe.

A versão 2008 da franquia joga tudo pro espaço, literalmente. Desta vez, o jogador encarna o descendente de índios Joseph Turok, um soldado de elite de um futuro distante que é traído por seus companheiros e naufraga em um planeta infestado de dinossauros! O título abandona o misticismo presente nos outros jogos e abraça de vez a ficção-científica, com armas pesadas e batalhas sangrentas entre Turok, mercenários fortemente armados e monstros que atacam tudo que vêem.

Confesso que o primeiro Turok foi um dos jogos mais difíceis que eu já joguei, nem tanto pelas lutas contra os monstros, mas pelos saltos impossíveis que Turok precisava realizar e pelo sistema de save point implementado. Ainda assim, havia um charme presente no enredo absurdo, nas armas potentes e no personagem principal, que era capaz de ressuscitar e clamar em alto e bom tom: "I AM TUROK!". Demorei muito tempo para concluir o jogo, mas valeu a pena.

Meu segundo encontro com o universo de Turok seria com Seeds of Evil. Lamentavelmente, meu micro na época não estava equipado com uma placa 3D capacitada e eu não consegui jogar mais do que cinco minutos do demo. Foi o suficiente para perceber que o jogo era bem diferente e que, provavelmente, eu nem gostaria do estilo.

Anos se passariam sem outro contato com Turok. Por uma estranha decisão dos desenvolvedores, Shadow of Oblivion não foi lançado para PC. Quando os primeiros trailers de Evolution saíram, eu juro que fiquei bastante empolgado. Turok seria capaz de montar em dinossauros alados e controlar veículos! Os gráficos tinham dado um salto de qualidade significativo! Mas a decepção foi grande... Evolution é considerado um dos jogos mais cheios de bugs da história da indústria, tendo sido lançado às pressas por uma empresa às portas da falência. Teimoso, me recusei a aceitar que o jogo poderia ser tão ruim e insisti. Com paciência, evitando os bugs principais, consegui me divertir por várias horas. Se Evolution não era um candidato para a lista de favoritos, não era tampouco de se jogar fora. Até eu cometer um erro terrível um dia e apertar o botão de criar um novo perfil, ao invés de carregar um perfil salvo. Evolution era tão mal-programado que o ato de criar um novo jogo zerava o jogo atual. Tudo que eu havia jogado, se fora. Evolution agora repousa na estante esperando o momento que minha raiva se acalme para uma nova tentativa

Irritado com Evolution, mas saudoso do personagem, talvez um dia eu tente esta aventura espacial do novo Turok. Mas, sem pressa. A impressão que fica é que ainda não conseguimos produzir um jogo que consiga colocar o incansável caçador de dinossauros no panteão dos grandes personagens da história dos jogos eletrônicos...

Ouvindo: Combichrist - Dead Again

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10 de abril de 2009

Dead Space: Horror Multimídia

Dead Space nasceu em 2008 como um projeto ambicioso. Não contente em produzir um jogo de survival horror ambientado no espaço, a EA Games decidiu que a experiência narrativa seria complementada por uma série em quadrinhos e por um média-metragem de animação. A revista, em seis edições, foi lançada em fevereiro e narrava os dantescos eventos que se sucediam na colônia espacial de Aegis 7 após a descoberta de um estranho artefato enterrado. A animação, lançada em outubro, continuava a história a partir do ponto que o artefato era embarcado na nave USG Ishimura, em órbita do planeta, e revelava o terrível massacre de sua tripulação. Finalmente, o jogo, lançado também em outubro, colocava o jogador no papel do personagem Isaac Clarke, enviado para investigar o mistério e obrigado a confrontar horrores inimagináveis.

Tive a oportunidade de tanto ler os quadrinhos quanto de assistir ao anime recentemente e posso afirmar: o trabalho final é primoroso. Se o jogo corresponder em qualidade e tensão ao material que o precede, Dead Space promete ser um título excepcional.

O Começo do Fim

comiccover_issue1cover_download_022108 Eu já havia comentado sobre a revista em quadrinhos aqui, quando o primeiro volume foi disponibilizado gratuitamente na internet. Com ilustrações de Ben Templesmith (o mesmo de 30 Dias de Noite) e texto de Antony Johnston, a narrativa tem um ritmo lento que vai construindo um crescendo de paranóia, claustrofobia e inevitabilidade que explode nas duas últimas edições em um frenesi de carne, sangue e desespero.

Se Johnston não parece ter pressa em estabelecer o elemento sobrenatural, é apenas para construir personagens verossímeis e mostrar que muitas vezes a mente humana pode quebrar de diversas formas diferentes quando confrontada com o inexplicado. Não há como não construir uma empatia com o protagonista Sargento Abraham Neumann, chefe da segurança da colônia, em sua luta quase solitária para entender os motivos de sua sociedade estar desmoronando progressivamente ao seu redor. Infelizmente, o que começa com histeria e fanatismo, culmina com o surgimento de forças muito além de sua capacidade de compreensão ou mesmo confrontação.

Templesmith repete aqui o seu magistral trabalho de arte quase estilizada, que destaca a fragilidade e a angústia de seus personagens. Não há cores simultâneas em Aegis 7. Tudo está sempre sendo banhado em tons monocromáticos, por luzes artificiais, que removem o ser humano de seu elemento natural e o colocam em um cenário que é nitidamente alienígena e sutilmente hostil. Se o artista não criou o visual dos monstros presentes no jogo, ele soube se apropriar de suas principais características e injetar seu talento.

Nenhum dos autores faz qualquer concessão em direção a um resultado que poderia ser mais palatável ao grande público. A história é opressiva e não oferece possibilidade de redenção.

Lamentavelmente, este material não foi lançado no Brasil e não há previsão para publicação.

A Queda

Dead Space: Downfall tem apenas 74 minutos para contar sua história e, consequentemente, abandona o detalhamento dos personagens em prol de um ritmo mais frenético. Novamente, o protagonista é um chefe de segurança. Alissa Vincent comanda uma equipe que irá tentar salvaguardar a USG Ishimura da ameaça oriunda da colônia, ao mesmo tempo que o comandante da espaçonave tem planos diferentes.

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Se os quadrinhos prepararam os nervos do leitor para a dimensão do problema despertado em Aegis 7, a animação libera a adrenalina e bombardeia o espectador com doses maciças de violência pouco vistas no Ocidente. Seguindo a trilha de filmes como Aliens e Tropas Estelares, o que se assiste é uma sucessão de batalhas de vida ou morte contra monstros que parecem saídos dos mais terríveis pesadelos. Não há muito tempo para pensar, mas o diretor consegue segurar a proposta, não deixando a tensão cair em momento algum.

A qualidade da animação não rivaliza com o produto dos grandes estúdios. Contrariando as últimas tendências, não se trata de uma animação em 3D feita no computador, mas a boa e tradicional técnica de "desenho animado". O resultado, entretanto, é satisfatório. Chuck Patton, o diretor, foi responsável pela arte de alguns episódios de Jovens Titãs e dirigiu a animação de Spawn alguns anos atrás. Confira o trailer abaixo:

Ao contrário dos quadrinhos, a animação pode ser encontrada em DVD oficialmente no Brasil, traduzida como Dead Space: A Queda.

Ouvindo: RJD2 - Cut Out To FL

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5 de janeiro de 2009

Quadrinhos Sangrentos Grátis do Espaço

Dead Space O jogo Dead Space, lançado ano passado, teve a ousadia de transferir o cenário habitual dos jogos de survival horror para o espaço sideral. O resultado é um cruzamento estranho de Silent Hill com Enigma do Horizonte. O jogador encarna o papel de Isaac Clarke, um engenheiro espacial enviado com uma equipe para investigar o que aconteceu a bordo da nave USG Ishimura, em órbita do planeta Aegis 7. Logo ele descobre que a tripulação da nave trouxe algo ruim da superfície do planeta. Logo ele descobre também que a tripulação já não é mais a mesma: uma infestação alienígena auto-denominada "Corrupção" se alastrou e suas vítimas se transformam em bizarras criaturas, os Necromorfos.

Apostando no sucesso do jogo, a Electronic Arts investiu pesado em divulgação e nos subprodutos relacionados ao universo da história. Meses antes do lançamento do jogo, uma série em quadrinhos de seis edições foi lançada em parceria com a Image Comics. Ambientada em Aegis 7, a revista revelava a natureza do artefato encontrado na superfície do planeta e que parece ser a chave para o mal que se propaga em Dead Space. A história seguia narrando os últimos momentos da colônia de mineração estabelecida no planeta.

E agora, o primeiro volume da série está disponível de graça no site Newsrama. As vinte e três páginas da revista foram digitalizadas e colocadas no ar de acordo com uma antiga tradição entre o site e a editora Image Comics. O material está em inglês, mas vale a conferida, nem que seja para apreciar a excelente arte de Ben Templesmith (o mesmo de 30 Dias de Noite).

Um longa-metragem de animação foi lançado em Outubro. Chamado de Dead Space: Downfall, o filme estabelecia seu foco nos eventos imediatamente anteriores à chegada de Isaac Clarke na história, contando como os tripulantes da Ishimura tentaram enfrentar a Corrupção após a queda da colônia em Aegis 7.

Ouvindo: Savage - The Legion Advances By Moonlight

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4 de janeiro de 2009

Quadrinhos Sangrentos

Priest A série de jogos de Blood pode estar morta e enterrada, mas o legado de Caleb permanece, ainda que seja longe da mídia que o gerou.

Vem sendo publicado no Brasil há um bom tempo um manhwa (quadrinho coreano) contando a saga de Ivan Isaacs, um padre que libertou o anjo caído Temozarela no Velho Oeste. Para demonstrar sua "gratidão", a criatura assassinou Ivan e sua amada, Gena. Mas a história do padre que caiu em sofrimento não termina aí. Ivan vende a alma para o demônio Belial e retorna dos mortos em busca de vingança contra Temozarela. O nome da revista é Priest.

Se você achou a história  ou a capa ao lado vagamente familiares, você não está sonhando. O criador dos quadrinhos, Hyung Min-woo, admitiu ,em uma entrevista publicada no volume 3 da versão original, que a inspiração para o personagem principal e sua jornada veio mesmo do jogo Blood.

A inusitada mistura de western com horror, o protagonista morto-vivo, a sede de vingança contra um demônio, o visual do anti-herói, as semelhanças mais se aproximam do plágio do que uma simples influência. Entretanto, ao expandir o universo do atormentado personagem, Hyung Min-woo consegue injetar muitas inovações que não estavam presentes no jogo e construir sua própria saga com sucesso.

Uma adaptação da série para o cinema foi anunciada, com Sam Raimi (de Homem-Aranha) na produção e Gerard Butler (o rei Leônidas de 300) no papel principal. Entretanto, os dois se desligaram do projeto e a iniciativa afundou. Aparentemente, um roteiro completamente modificado com pouca relação com os quadrinhos ainda periga ser produzido em 2009.

Houve também uma tentativa de transformar o manhwa em um MMORPG em seu país de origem. Mas o projeto foi cancelado em 2007. Seria no mínimo irônico a história inspirada em Caleb retornar ao mundo dos jogos...

Priest conta com dezesseis volumes, todos publicados no Brasil, ao preço de R$10,00 cada edição. No momento, a série está parada, aguardando que o autor conclua o volume 17.

Ouvindo: Hexen 2 - Eidolon's Ordeal

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3 de janeiro de 2009

Choque de Realidade

Traduzido do webcomic EXTRALIFE:Choque de Realidade - Clique para Ampliar

Ouvindo: Painkiller - Enclave

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31 de agosto de 2008

Sobre Jogos, Quadros, Vida e Mais um Pouco

Um tema recorrente entre os webcomics são os jogos eletrônicos: Penny Arcade (o mais famoso de todos), PvP (excelente, mas que aborda os jogos cada vez menos...), VgCats (um pouco desbocado), Dueling Analogs (muito desbocado!), Extra Life (do conglomerado Gamespy) etc.

(e todos são em inglês. Infelizmente, não conheço nenhum deles em língua portuguesa. Sem críticas: nossos cartunistas são muito mais criativos do que os estrangeiros. Mas, ainda que o quadrinho nacional tenha presença na Internet, o conceito de webcomic, com personagens fixos, um tema constante e mesmo uma continuidade, ainda está ausente.  Se você conhece alguma exceção, eu adoraria ser informado)

Um dos meus favoritos é o Ctrl+Alt+Del, de Tim Buckley. Um dos mais anárquicos quadrinhos sobre jogos, ativo desde 2002, ele narra as bizarras confusões de Ethan (um balconista de loja de jogos), Lucas (também vendedor, mas de uma loja de computadores), Lilah (jogadora profissional) e Zeke (um Xbox robô autônomo). O grupo divide um apartamento e tenta conciliar as diferenças e encontrar tempo para jogar. A maioria dos arcos parte das loucuras de Ethan, o indivíduo mais sem-noção da história da humanidade. Jogador compulsivo, sua visão de mundo foi construída a partir de sua permanente relação com os jogos eletrônicos, o que fica no limite entre o autismo e a psicose crônica.

E foi desta série descompromissada que se originou a mais poética de todas as histórias sobre a vida de um gamer. Publicada a partir de 25 de janeiro de 2008, Tim Buckley criou uma parábola de 7 capítulos que se inicia com a infância difícil de um garoto que sonhava com jogos que não tinha dinheiro para ter, os sacrifícios para superar obstáculos, casamento, vida adulta, paternidade e segue até sua morte, em idade avançada, com sua paixão passando para a próxima geração.

Ctrl Alt Del

Não me atrevo a traduzir o material, para não destruir a métrica do poema. Mas recomendo enfaticamente para todos aqueles que dominam o idioma, para aqueles que amam jogar e para aqueles que já sabem que este “passatempo” não é apenas para o público infantil.

(também veio de Ctrl+Alt+Del um dos mais delicados momentos de todos os quadrinhos que já li, ainda que não seja sobre jogos e ou tenha textos para serem lidos. Tim Buckley é mais do que somente um humorista de talento...)

Ouvindo: Specimen - Wolverines

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Retina Desgastada

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